quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O TEATRO DE DENISE STOKLOS E A PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO

O chamado Choque de Ordem faz jus ao nome. Mas, que ordem é essa? Ordem, nesse caso, significa manter o povo calado, alienado, enquanto o progresso fica para os canalhas que estão no poder. 

Em 02 de novembro de 2013, feriado de finados, sábado, às 19h, começava mais uma apresentação do espetáculo "Carta ao Pai", de Denise Stoklos, inspirado na obra homônima de Franz Kafka. O Teatro do Sesc Ginástico fica na Avenida Graça Aranha, centro do Rio de Janeiro. E as ruas do centro ficam quase desertas nesses dias.

Após a apresentação de Denise, iniciou-se uma conversa da atriz com o público. Obviamente, todos quiseram permanecer no teatro para essa conversa. Quem já viu essa mulher de teatro, que está completando 45 anos de carreira, sabe do que estou falando.

Pois bem, curiosamente, quando uma pessoa da plateia narrava para a Denise um episódio ocorrido nos anos de 1970, em plena ditadura militar, acerca das dificuldades de manifestar-se artisticamente, eis que entra o administrador do teatro, muito educado e preocupado, informando que os carros estacionados em frente ao Sesc Ginástico estavam sendo rebocados pela prefeitura.

Ora, qual a finalidade disso? Ruas do centro da cidade desertas, sábado, feriado. E a Prefeitura do Rio de Janeiro rebocando automóveis na porta de um teatro! Muitas pessoas saíram às pressas da sala, enquanto Denise Stoklos e o administrador, constrangidos, desculpavam-se com o público.

A prefeitura conseguiu, com mais esse choque de ordem, confirmar as críticas contidas no trabalho da atriz: a existência de um Estado opressor. Essa "Carta ao Pai" e a alusão ao Brasil, o país que oprime seu povo, são como tapas na cara do pai tirano, do país.

Bem, quanto a mim, permaneci no teatro, querendo ouvir mais essa fantástica artista. Afinal, não tenho carro. Sou usuário do transporte público. Acho que vou chorar.

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